Juntas de movimentação: por que elas não podem ser ignoradas?

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Fissuras em fachadas, revestimentos descolando, selantes rompidos e infiltrações podem ter diferentes causas. Em alguns casos, o problema começa quando uma movimentação natural da construção não encontra espaço para acontecer.

As edificações não são estruturas completamente estáticas. Variações de temperatura, retração dos materiais, cargas, vibrações e pequenas deformações fazem com que diferentes elementos se movimentem ao longo do tempo.

É justamente para acomodar os movimentos previstos que existem as juntas de movimentação. Quando previstas e executadas corretamente, elas ajudam a reduzir tensões em revestimentos, pisos, fachadas e outros componentes da construção.

O que são juntas de movimentação?

As juntas de movimentação são espaços planejados entre elementos ou partes de um sistema construtivo para permitir determinadas deformações sem provocar danos aos materiais adjacentes.

Imagine, por exemplo, uma fachada exposta ao sol durante várias horas do dia. Conforme a temperatura aumenta e diminui, os materiais podem sofrer pequenas expansões e contrações.

Individualmente, essa alteração pode parecer pouco significativa. Em grandes áreas, porém, a movimentação acumulada pode gerar tensões suficientes para provocar fissuras, perda de aderência de revestimentos ou falhas em pontos de encontro entre diferentes materiais.

As juntas ajudam a acomodar esses movimentos.

Por que uma construção se movimenta?

Existem diferentes fenômenos capazes de provocar movimentações nos elementos construtivos. Entre eles estão:

  • variações de temperatura;
  • retração e expansão dos materiais;
  • deformações provocadas por cargas;
  • vibrações;
  • movimentações estruturais;
  • variações de umidade;
  • comportamento diferente entre materiais e elementos construtivos.

Além disso, cada material responde de uma maneira às condições às quais está submetido. Concreto, cerâmica, metal, argamassas e outros componentes apresentam características próprias de deformação.

Por isso, os sistemas precisam ser projetados considerando tanto cada material quanto o comportamento das interfaces entre eles.

O que pode acontecer quando as juntas são ignoradas?

Quando uma movimentação prevista para o sistema é impedida, as tensões podem se acumular nos materiais e nas interfaces entre eles.

Nessas condições, podem aparecer manifestações como:

  • Fissuras: as tensões podem provocar abertura de fissuras em revestimentos, argamassas ou outros elementos.
  • Desplacamentos: revestimentos podem perder aderência e se desprender do substrato.
  • Falhas na vedação: um selante incapaz de acompanhar a movimentação pode se romper ou perder aderência nas laterais da junta.
  • Entrada de água: falhas na vedação podem criar caminhos para infiltrações, principalmente em fachadas e áreas externas.
  • Deterioração progressiva: uma pequena falha pode permitir a entrada contínua de água e outros agentes, ampliando o problema ao longo do tempo.

Por esse motivo, preencher uma junta de movimentação com um material rígido pode impedir que ela cumpra a função para a qual foi projetada.

Toda junta tem a mesma função?

Em uma construção podem existir diferentes tipos de juntas, definidos de acordo com o sistema, o elemento construtivo e o comportamento esperado.

Há juntas destinadas a acomodar expansão e contração e outras utilizadas para controlar a localização de fissuras decorrentes da retração do concreto.

Já as juntas de concretagem estão relacionadas às interrupções entre etapas de execução do concreto. Elas não funcionam automaticamente como juntas de movimentação: esse comportamento depende do detalhamento previsto em projeto.

A localização, o espaçamento e as dimensões das juntas devem seguir o projeto e as características da estrutura e dos materiais empregados.

O papel do selante nas juntas de movimentação

Criar o espaço da junta é apenas uma parte do sistema. Em muitas aplicações, também é necessário vedá-la sem impedir sua movimentação.

É nesse ponto que entram os selantes elastoméricos.

Um selante adequado para essa finalidade deve se deformar acompanhando os movimentos previstos para a junta, mantendo sua aderência às laterais. A vedação também ajuda a impedir a entrada de água, sujeira e outros agentes externos.

A escolha do produto precisa considerar fatores como:

  • movimentação esperada;
  • largura e profundidade da junta;
  • tipo de substrato;
  • exposição ao sol e às intempéries;
  • presença de água ou imersão, quando houver;
  • tráfego, quando houver;
  • condições químicas do ambiente;
  • compatibilidade entre o selante e os materiais em contato com ele.

A capacidade de movimentação do produto é especialmente importante: o selante precisa suportar as deformações previstas para aquela junta sem perder aderência ou romper.

Conforme a aplicação, o projeto pode exigir outros componentes de vedação além do selante.

A preparação da junta também faz diferença

Mesmo um produto corretamente especificado pode apresentar problemas quando a aplicação não segue as condições necessárias.

As laterais da junta precisam estar firmes, limpas e livres de poeira, óleo, graxa, partículas soltas e outros contaminantes. As condições de umidade da superfície e a necessidade de primer ou outro tratamento devem seguir as orientações do fabricante.

Outro ponto importante é o dimensionamento. A relação entre largura e profundidade do selante influencia seu comportamento durante os ciclos de movimentação e deve seguir as recomendações do sistema e do produto utilizado.

Também é comum utilizar um limitador de profundidade, como um cordão de espuma compatível com o sistema, para controlar a espessura de selante aplicada.

Nas juntas de movimentação vedadas com selantes elastoméricos, normalmente o produto deve aderir às duas faces laterais, sem aderência ao fundo. A aderência em três faces restringe sua capacidade de deformação e aumenta o risco de falhas durante os ciclos de abertura e fechamento.

Quando o problema está na junta — e não no acabamento

Uma fissura ou infiltração próxima a uma junta pode levar à tentativa de corrigir apenas aquilo que aparece na superfície.

Aplicar massa, argamassa, pintura ou outro acabamento sobre o ponto afetado pode esconder temporariamente o sinal, mas não necessariamente elimina sua causa.

Se aquela região continua sujeita à movimentação, o problema pode voltar a aparecer.

Por isso, antes de realizar o reparo, é importante entender:

  • qual é a função daquela junta;
  • quais movimentações estão ocorrendo;
  • se o dimensionamento está adequado;
  • qual produto foi utilizado anteriormente;
  • como estão as condições das laterais da junta;
  • se o sistema de vedação é compatível com a aplicação.

O diagnóstico ajuda a evitar que uma manifestação recorrente seja tratada apenas superficialmente.

Juntas também precisam de manutenção

Os sistemas de vedação permanecem expostos a ciclos sucessivos de movimentação, além de fatores como chuva, incidência solar, variações térmicas, tráfego ou agentes químicos, dependendo da aplicação.

Por isso, as condições das juntas devem fazer parte das inspeções e da manutenção da edificação.

Perda de aderência, ruptura do selante, endurecimento, fissuras ou deterioração nas bordas são sinais que merecem atenção.

Identificar esses problemas no início pode evitar que uma falha localizada evolua para infiltrações e danos em outras partes da construção.

Uma pequena faixa que desempenha uma grande função

Uma junta pode parecer um detalhe discreto na construção, mas exerce uma função importante para o desempenho do sistema.

Respeitar as movimentações previstas, especificar corretamente os materiais e executar a vedação conforme as características de cada situação contribui para reduzir fissuras, infiltrações, desplacamentos e retrabalhos.

Por isso, antes de preencher ou cobrir uma junta, é fundamental entender por que ela está ali e como ela precisa trabalhar.

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